ALEX M. CARMELLO Travestis vivem sob ameaça constante no Brasil
Cerca de 200 homossexuais foram assassinados durante o ano de 2009 em todo o País, de acordo com relatório anual divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) na semana passada. "O Brasil é o campeão mundial de crimes contra GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais): um assassinato a cada dois dias, aproximadamente 200 crimes por ano, seguido do México com 35 homicídios e dos Estados Unidos, com 25", diz o fundador do GGB, Luiz Mott.
Nos dois primeiros meses de 2010, já foram documentados 34 homicídios contra homossexuais. Em Jundiaí, três homossexuais foram mortos no último ano: um baleado na rua 11 de junho, outro que foi empurrado de um carro no Centro e o último, assassinado em um motel. De acordo com ele, os dados do levantamento são obtidos por meio de pesquisas em jornais e na mídia ao longo do ano, já que não existem estatísticas oficiais.
"Estes números são apenas a ponta de um iceberg de sangue e ódio, pois não havendo estatísticas governamentais sobre crimes de ódio, nos baseamos em notícias de jornal e internet, uma amostra assumidamente subnotificada", explica Mott. Segundo o levantamento, foram assassinados no Brasil no ano passado 198 homossexuais, nove a mais que em 2008 (189 mortes) e um aumento de 61% em relação a 2007 (122). Dentre os mortos, há 117 gays (59%), 72 travestis (37%) e nove lésbicas (4%).
Jornal de Jundiaí - 10/03/2010